Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2011

CONCURSO "QUEM CONTA UM CONTO, ACRESCENTA UM PONTO"

CONCURSO "QUEM CONTA UM CONTO ACRESCENTA UM PONTO

 

A BRASILEIRA DE PRAZINS

 

  Camilo Castelo Branco

 

   (CONTO SELECCIONADO)

 

Continuação

 

(…) E devemos aprender com ela o suficiente para nunca cedermos à cobiça, à inveja e à ambição de enriquecer de forma desonesta. É só uma história, no fim de contas…mas não acaba aqui.

Apesar de toda a riqueza adquirida por causa do negócio com o casamento da sua filha Marta, Simeão acabou por nunca ser feliz. Viveu sempre numa grande mágoa e sentimento de culpa por ser ele o responsável pela infelicidade de Marta durante toda a sua vida. Esta, nunca recuperou e nunca o perdoou, pois o desgosto que sentiu por ser obrigada a esquecer o grande amor da sua vida e ter de se casar com o seu tio, acabou por contribuir para que se desinteressasse pela vida, adoecesse gravemente e acabasse por falecer. No entanto, antes de adoecer, teve um lindo filho chamado Jeremias. Era um rapaz muito inteligente, alto, bem composto e com grande coração.

Após a tragédia, Bento, o irmão de Simeão, acabou por voltar para o Brasil. Deixou o filho ao encargo de familiares próximos, sentindo-se completamente defraudado e culpabilizando o irmão por ter apostado num negócio que só lhe trouxe tristeza e amargura. Afinal, ele até gostava bastante de Marta, mas nunca conseguiu fazer com que esta fosse feliz e esquecesse o José Dias. A única coisa boa que saiu do seu casamento foi o filho de ambos, Jeremias, mas até ele, ao aperceber-se da malfadada história, assim que pôde, foi estudar para Coimbra e por lá acabou por viver e casar, já que era demasiado penoso relembrar a infelicidade em que vivera a sua mãe.

Com tudo isto, Simeão acabou os seus dias rico, mas completamente sozinho. Até a vizinhança, que testemunhou a sua avareza e que conheceu a história infeliz de Marta, acabou por se afastar.

Como único herdeiro de Simeão, Jeremias teve mais tarde de regressar à terra. Por essa altura, encontrou o padre Osório, o qual, após muita ponderação, decidiu entregar-lhe as cartas de amor que ainda tinha em sua posse. O filho de Marta ficou extremamente emocionado ao lê-las. Apesar de tudo, nunca se tinha apercebido da dimensão do amor que existira entre a sua mãe e o tal José Dias.

Jeremias não sabia muito bem o que fazer com aquela fortuna maldita que o seu avô lhe deixou, mas de uma coisa tinha a certeza: depois de ler aquelas cartas, teria de fazer algo em honra de sua mãe. Depois de lhe surgir uma ideia na memória, decidiu aconselhar-se junto do padre. Este prontificou-se imediatamente a ajudá-lo no que fosse preciso.

E assim foi. Com a ajuda do padre Osório decidiu erigir um memorial em nome de todos os amores contrariados e para que todos se lembrassem daquela história fatídica. Na verdade, ainda hoje, quando se passa por ali, é impossível não se reparar naquela bela escultura, que faz parte do roteiro turístico da região, como local de interesse. 

 

Dados da concorrente:

Nº: 13

 Ano/Turma: 6ºA

Nome: Mariana Monteiro Gaio

 

A Cidade vem à Serra

 

(continuando a história de: A Cidade e as Serras, de Eça de Queiroz)

 

A vida corria muito bem à família do meu Príncipe, Jacinto de Tormes, depois de ter abandonado a vida civilizada de Paris e de se ter tornado um agricultor de sucesso no Douro. Estava agora gordo e rosado, de músculos fortes e costas direitas. Nos seus olhos brilhava o orgulho de ter a quinta a produzir um belíssimo vinho verde, e a alegria de ver brincando na eira de granito os seus dois filhos, Teresinha e Jacintinho.

Eu, José Fernandes, seu amigo de toda a vida, sentia-me ainda mais feliz por ter a sua companhia perto da minha Quinta de Guiães e pensava já em projectos para o futuro, como a instalação de telefone entre as nossas casas e a organização de um passeio de família a Lisboa, para uma visita a preceito à capital.

Estava eu nestas considerações quando a Tia Vicência me interrompeu na sala para me perguntar o que queria para o almoço de domingo.

- Pensei num peixe, filho… mas é tão difícil arranjar peixinho de jeito aqui nas serranias… – lamuriava-se a Tia Vicência. Logo me veio à ideia o inacreditável episódio do salmão do Grão-Duque da Rússia, entalado no elevador da cozinha do 202 dos Campos Elísios, e sem querer, desatei a rir.

-Ai tu ris-te, filho? Fica sabendo que ainda vou arranjar um peixe de te deixar embasbacado! - e, virando as costas arreliada, a tia Vicência deixou-me a rir sozinho.

Resolvi então ir visitar meu amigo Jacinto em Tormes, para o convidar e à família a passar o domingo em Guiães. Ao passar o belo portão de ferro, já ouvia ao longe os gritos divertidos das crianças a brincar. E assim encontrei o príncipe da Grã-Ventura, debruçado no tanque da casa, para salvar do afogamento uma boneca de trapos.

-Ó Jacinto! Que preparos! – foi a minha saudação.

Quando se viu livre daquela trabalheira, Jacinto abraçou-me com vigor e alegria, ao mesmo tempo que replicou:

-Tu nem imaginas o que vem por aí! O Grilo veio trazer-me um telegrama de Paris, hoje de manhã. Vê tu que o Grão-Duque Casimiro, a Madame de Trèves e um escritor de nomeada que eu não conheço, vêm visitar Tormes! Não se conformam com a nossa ausência e acham que devem vir ver com os próprios olhos porque decidimos trocar a civilização de Paris por esta vida! Que grande acontecimento, ó Zé Fernandes!”

Logo nesse domingo, refastelados em Guiães, à mesa com um belo sável, começámos a preparar os detalhes do acontecimento. Joaninha, preocupada em causar boa impressão, pensava em mandar polir pratas e metais, enquanto Silvério e Melchior tratariam de limpar caminhos e muros. Agora é que as bagagens e as modernices de Paris, aqueles baús que nunca tinham sido abertos, teriam algum proveito e veriam a luz do sol.

Chegado o grande dia de Abril, chegava à Estação de Ermida o mesmíssimo comboio que cinco anos antes nos tinha trazido a Tormes, ao fim duma viagem atribulada. O sol brilhava quente, realçando o verde vibrante das vinhas e o cintilar dos riachos. Não estávamos na estação há meia hora quando chegou a comitiva esperada que, depois de longos e sentidos abraços, se encaminhou serra acima, de charretes e burros carregados de bagagens.

Casimiro da Rússia estava extasiado com a paisagem e mal conseguia fechar a boca de espanto, perante a grandiosidade do cenário. Madame de Trèves, estava deleitada com os manjares da quinta e com a simpatia das pessoas. Quanto ao escritor francês, um tal de Gustave Flaubert, rabiscava constantemente num caderno, por vezes, em lágrimas de puro contentamento pela fonte de inspiração que ali encontrara, longe do que tinha imaginado.

Assim se iniciou uma nova era em Tormes. Depois da chegada do meu Príncipe ao Douro e da sua conversão à Serra, depois de a esperança ter nascido em todos os seus habitantes, agora também os grandes e importantes de outros países estavam convencidos do seu poder. Sem dúvida que a Serra, a Natureza e a Pureza viviam em comunhão para seduzir quem aqui vinha. Era viver a sério e eu também queria ser feliz.

 

 

Guilherme Egídio Oliveira, Nº 12 – 5ºA (Côja)

 

A CIDADE E AS SERRAS

 

(MENÇÃO HONROSA)

 

Ora hoje, passados alguns anos, o meu velho amigo Jacinto decide ir visitar o seu requintado nº 202 dos Campos Elísios. Conta agora com a vantagem de poder fazer a viagem de automóvel, na companhia de sua esposa Joaninha e dos seus dois filhos, Teresinha e Jacintinho. Uma viagem sem mudanças nem atropelos, contrariamente ao que havia acontecido na sua viagem de regresso a Portugal.

Assim, passados dois dias e uma noite, chegam finalmente ao nº 202 dos Campos Elísios. Teresinha e Jacintinho estavam ansiosos por conhecer a sua casa bem como a “cidade das luzes”, de que o pai tanto lhe falara. Quando Jacinto volta a pisar os salões atapetados do seu palacete, sente por momentos saudades dos tempos em que aí viveu. Seus filhos ficam impressionados com o palácio em que o pai crescera e não param de fazer perguntas sobre a utilidade de tantas máquinas aí expostas.   

Joana, embora deslumbrada com toda aquela luxúria, faz questão de lembrar aos filhos a beleza e a simplicidade da aldeia de Tormes onde residem e explica que nunca iriam viver naquele palacete diariamente. Ao ouvi-la, Jacinto diz-lhe que nunca diga nunca. Para tentar mudar a opinião de Joana e mostrar aos seus filhos o quanto a cidade de Paris é bonita e cheia de vida, convida-os a conhecer alguns locais e monumentos aí existentes. Começou por lhes mostrar Notre Dame, de seguida atravessaram uma das inúmeras pontes do rio Sena, visitaram o Arco do Triunfo, a grandiosa Torre Eiffel, da qual puderam ter uma magnífica vista da cidade de Paris, passearam no Bairro de Mom- marte, onde puderam ver pintores a trabalhar nas suas telas e passearam ainda pelo Jardim das Tulherias.

Nestes agradáveis dias visitaram ainda o Museu do Louvre, onde apreciaram de perto as belas pinturas expostas, tal como a de Gioconda. Tiveram ainda o privilégio de conhecer o Palácio de Versalhes, com toda a sua riqueza, bem como os seus belos jardins.

Após um mês de tanta alegria e conhecimento, os dois filhos de Jacinto começaram a sentir saudades dos seus amigos que residem em Tormes e dos seus passeios pelo meio da verdura e sossego da Serra e pedem ao pai para voltar para Portugal. Após o regresso, Teresinha e Jacintinho ficam felizes por ver os seus amigos. Jacinto pergunta aos seus filhos e a Joana se gostaram de conhecer Paris ao que todos respondem que sim. Fazem então o acordo de voltar ao nº 202 dos Campos Elísios.

E assim é, quase em todas as férias voltam à terra Natal de seu pai.

 

Maria Rita Castanheira Rodrigues

5º B Nº 12 09/02/2011

 

Auto da Barca da Mentira

 

(MENÇÃO HONROSA)

 

Mas não fiquemos por aqui,

pois mais gente vem aí.

 

 

Diabo:

Entrai Senhor Doutor,

ilustre curandeiro, que o mal dos outros curais,

por interesse e por dinheiro.

 

 

Doutor:

Quem sois vós que ousais tratar-me assim?

Curei o Procurador, Corregedor, Fidalgo e até o Frade!

Perguntai-lhes a verdade e o que eles dizem de mim.

Vou ao outro barqueiro que de certeza tem melhor assento do que aí.

 

 

Anjo:

Alto aí! Tu, Doutor interesseiro, nesta barca não metes o traseiro,

pois os pobres não curaste e outros desprezaste.

Vai à outra barca que lá tens que baste.

 

 

Diabo:

Entrai Doutorzinho, que esta barca vai partir,

vinde, não vos deixeis cair.

 

 

Pobre:

Ó da barca! Para onde vais?

 

 

Anjo:

Vou para o paraíso e tu pudeis entrar,

porque passaste a vida a trabalhar,

enquanto outros te queriam roubar

e não tiveste o Frade para te ajudar,

nem o Doutor para te curar.

 

 

E assim termina o Auto da Barca da Mentira.

 

 

 

Autor: André Soares e Silva

5º E  Nº 1

publicado por Contador às 11:47
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