Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2011

Amor de perdição

 

CONCURSO "QUEM CONTA UM CONTO, ACRESCENTA UM PONTO"

 

Amor de perdição

 

Rita acabou de contar a história quando se ouviu bater à porta. Emanuel foi abrir a porta e viu que era seu pai António e sua mãe Inês que vinha muito bonita.

António virou-se para seu filho Emanuel e disse-lhe:

- Tens um irmão!

- Onde é que ele está? Como se chama? Perguntou Emanuel espantado mas ao mesmo tempo entusiasmado.

- Está em Espanha com as amas. Vim para te levar para junto de nós para que possas conhecê-lo. Os irmãos devem crescer juntos.

Emanuel hesitou na resposta que deveria dar ao pai, pois tinha razões para ficar pouco contente com esta inesperada notícia. Por um lado, gostaria de ir com os pais, mas não tinha coragem de deixar a tia Rita, com quem já vivia há algum tempo e, em Vila Real estava Leonor, a mulher que povoava os seus sonhos todas as noites.

Para ganhar algum tempo e poder pensar melhor disse a seus pais que iria dar uma volta e conversariam depois sobre o assunto.

Vagueou por ruas, ruelas e becos e não conseguia tomar uma decisão sem que sentisse seu coração a palpitar tão ansiosamente. Estava definitivamente dividido sem saber que decisão tomar.

Quando regressou, comunicou à família e com algum receio confessou os seus motivos. Falou de Leonor, de como ela era linda, bondosa e interessante. Por fim, num acto de coragem, disse:

- Meu Pai, se tiver de ir para Espanha, imponho uma condição. Comigo levarei Leonor, se assim ela também quiser.

Manuel que conhecia bem estas coisas do amor, disse-lhe que fizesse o que o coração ditasse, deixando-o assim livre para tomar a decisão sem qualquer desconforto.

Levar Leonor para Espanha poderia não ser fácil, pois a sua família teria de aprovar. Ficar em Vila Real faria com que as saudades que sentia da sua família, aumentassem cada vez mais.

Então fez uma proposta aos pais que seria viver num sítio que ficasse perto de Vila Real e Orense, que é a cidade onde os pais vivem e que fica perto da fronteira. Pensaram então em Chaves, cidade transmontana que também fica perto da fronteira e não fica assim tão longe de Vila Real.

-Meu filho, tentaremos, então, conseguir cumprir os teus desejos - respondeu-lhe o pai numa atitude de inteira fraternidade.

Emanuel só poderia mesmo gostar muito de sua família e em especial do seu pai, pois nesta época a maioria dos pais eram bastante rigorosos e pouco compreensivos com os seus filhos. A face de Emanuel iluminou-se, fazendo transparecer a ansiedade e esperança de resolver este assunto.

Faltava só falar com Leonor e esperar que a sua decisão fosse do seu agrado.

Anos mais tarde… Emanuel brincava feliz com Simão e Rita, seus filhos. Deu-lhes estes nomes para que eles pudessem lembrar-se dos seus tios. Encontravam-se junto do Castelo, conquistado aos Mouros muitos séculos antes. Junto da muralha, olharam para as ruelas que levavam ao centro do povoado, quando viram Leonor que subia a ladeira de forma graciosa.

- É linda a vossa mãe, não é?...

 

 

Tomás Cruz 5º B nº 20

publicado por Contador às 11:41
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